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O pinheiro bravo no arco atlântico: um recurso comum


A superfície mundial ocupada pelo Pinus pinaster está estimada em cerca de 4,4 milhões de hectares, dos quais 4,2 milhões se localizam na área de distribuição natural da espécie (Espanha, Portugal, França, Marrocos, Itália, Turquia, Grécia e Tunísia). Por outro lado, 200.000 hectares encontram-se em outras áreas de reflorestação (Austrália, África do Sul, Nova Zelândia, Chile, Argentina e Uruguai).

A Aquitânia, a Galiza e o Norte e Centro de Portugal são regiões que reúnem conjuntamente cerca de 7 milhões de hectares de superfície de carácter florestal (aproximadamente 45% do seu território). Nesta destacada área florestal, a presença de pinheiro bravo assume um claro protagonismo ao constituir o principal recurso que abastece a importante indústria de madeira existente nesta zona. Esta influência estendesse também a outras zonas atlânticas, como as ilhas britânicas ou o norte de Espanha, que consomem significativas quantidades de madeira em toro ou produtos de transformação do pinheiro bravo.

No caso de Portugal, o pinheiro bravo ocupa 29% da superfície florestal total, com um total de 976.000 ha. As suas massas florestais estão principalmente localizadas nas regiões Centro, Norte e Lisboa e Vale do Tejo (57%, 37% e 22% da superfície florestal, respectivamente).

Na Galiza, existem 383.632 ha de massas florestais puras de pinho marítimo. Acrescente-se que se encontra presente em outras massas florestais misturadas com espécies como o eucalipto e outras folhosas. Considerando a superfície florestal ocupada por povoamentos mistos, nas quais o pinho tem um papel dominante, atinge-se um valor total de 467.351 hectares, o que correspone a 23% de toda a superfície florestal. A distribuição desta espécie na Galiza é relativamente homogénea As superfícies ocupadas em cada província situam-se entre os 94.041 ha em Pontevedra, e os 151.336 ha situadas em Ourense.

Importância económica da transformação industrial do pinheiro bravo

O pinheiro bravo é uma espécie fundamental para o abastecimento da importante indústria de transformação de madeira radicada na Aquitânia, em Portugal e na Galiza. A produção industrial anual de madeira de pinho marítimo em toro está estimada em cerca de 14,6 milhões de m3. Como referência, cabe destacar que este valor representa uma quantidade próxima à produção total de madeira em toro gerada em Espanha anualmente.

A contribuição da indústria florestal para a economia da área geográfica considerada corresponde aos valores que constam da tabela seguinte. Estes valores põem em evidência a importância que revela a actividade florestal e a indústria de transformação de madeira, tanto na Aquitânia, como na Galiza e Portugal.

Configuração da propriedade florestal

A maior parte da propriedade florestal em Portugal e na Galiza encontra-se nas mãos de proprietários privados, que possuem parcelas de muito pequena dimensão.

No caso de Portugal, 92,3% da superfície florestal é de propriedade privada. Somente cerca de 7% é de propriedade comunitária (normalmente em zonas de montanha ou próximas de dunas nas zonas litorais) ou estatal (0,7%). Apenas 1,1 % das explorações possuem mais de 100 hectares, sendo a superfície mais habitual inferior a 3 hectares (84,5% do total).

Na Galiza, o regime de propriedade predominante é o da propriedade privada (68%), seguido pelas matas municipais de propriedade comum (30%). A fracção restante está composta por matas públicas catalogadas de utilidade pública (1%) e matas públicas não catalogadas de utilidade pública (1%). No total, estima-se que existam 673.000 proprietários de matas que possuem uma superfície média de 1,5 a 2 hectares, divididas normalmente em varias parcelas. Também é de realçar a presença de 2 700 comunidades de matas com uma superfície florestal média com um pouco mais de 200 hectares.